terça-feira, 11 de junho de 2013

UMBANDA PRIMITIVA




Entender a mediunidade, àsvezes é complicado, mas no Livro " Mediunidade", José Herculano Pires, traz pra nós este assunto de uma forma uito esclarecedora.

O Mediunismo

As formas primitivas de mediunidade provêm das selvas e das regiões geladas ou áridas em que a vida humana permaneceu em condições rudimentares. O homem é um ser mediúnico e todo o seu desenvolvimento seguiu as linhas da evolução da sua potencialidade mediúnica. A idéia da Divindade, de um poder superior que criou o mundo é inata no homem, como o demonstram as pesquisas antropológicas. Dessa idéia básica em sintonia com o assombro do mundo, misterioso e cheio de seres estranhos, nasceu a Magia. O sentimento mágico do mundo estabeleceu as relações entre os homens e as coisas e os outros seres. A idéia do poder das coisas e dos seres brotou naturalmente das experiências na luta para a sobrevivência.


A lei de adoração, estudada em O Livro dos Espíritos, levou a imaginação primitiva aos ritos do culto solar e lunar, das montanhas coroadas de nuvens, dos grandes rios misteriosos e assim por diante. A reverência aos chefes poderosos desenvolveu os ritos de submissão, que se estenderam aos pagés e xanãs, sacerdotes mágicos das tribos e das hordas, dotados de poderes mediúnicos. Os processos mágicos desenvolveram-se através das manifestações mediúnicas. Abria-se o caminho para o desenvolvimento das religiões mitológicas e das religiões reveladas, estas apoiadas na crença dos homens deuses, conhecedores dos mistérios da vida e da morte. A evolução espiritual do homem abria a fase das grandes religiões nas regiões em que a civilização avançara. Os dons mediúnicos reafirmavam a crença nos poderes divinos, através dos fenômenos produzidos por indivíduos que os possuíam.
A expressão mediunismo, criada por Emmanuel, designa as formas primitivas de Mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas. Todas as formas de religiões primitivas, sem desenvolvimento cultural e intelectual, caracterizam-se por práticas mágicas ligadas ao mediunismo.

As religiões africanas, transplantadas ao Brasil e outros países americanos pelo tráfico negreiro, e misturadas às religiões indígenas e primitivas desses países, desenvolveram largamente no Continente diversas formas de mediunismo. O processo natural de sincretismo religioso, já iniciado na própria África com a mistura das religiões tribais com o Islamismo e o Catolicismo, deram a essas formas um impulso em direção à institucionalização religiosa.


A diferença entre Mediunismo e Mediunidade está no problema de conscientização do problema mediúnico. Nas religiões primitivas não havia nem podia haver reflexão sobre os fenômenos e seu sentido e natureza. Tudo se resumia na aceitação dos fatos e nas tentativas de sua utilização para finalidades práticas, objetivas. A Mediunidade é o Mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à reflexão religiosa e filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis. Enquanto o Mediunismo absorve a herança mágica do passado e mistura-se com religiões, crenças e superstições de toda a espécie, a Mediunidade rejeita infiltrações que possam prejudicar a sua natureza racional e comprometer o seu desenvolvimento natural. Integrada na estrutura do Espiritismo, que a estuda e pesquisa através de suas instituições culturais e científicas, ela se torna cada vez mais numa área específica da Teoria do Conhecimento, que terá forçosamente de reconhecer os seus direitos na cultura geral do próximo século.

É curioso o fato de que todas as religiões e correntes do pensamento espiritualista tenham rejeitado e condenado a Mediunidade, que só o Espiritismo reconhece no seu pleno valor e na sua importância fundamental para a vida humana na Terra e o seu desenvolvimento futuro no mundo espiritual. Apontada nas religiões como de natureza diabólica, nas doutrinas espiritualistas refinadas como um campo inferior e perigoso de manifestações suspeitas e perigosas, acusada de responsável pela loucura do mundo, ela foi marginalizada pelos meios culturais e é constante-mente atacada pelos donos da verdade e da sabedoria, como o foram o Cristo e o Cristianismo. Não obstante, cresce sem cessar o interesse pela mediunidade no mundo, pois o próprio desenvolvimento científico acabou desembocando no delta da fenomenologia paranormal, obrigado a enfrentar e reconhecer a realidade dos fatores mediúnicos em todos os campos do saber. Pouco importam os preconceitos, as idiossincrasias, as incom-preensões dos homens, pois a realidade não pede licença a ninguém para ser o que é.

Ao lado do resguardo e defesa da Mediunidade, os espíritas naturalmente se interessam pelo estudo e a pesquisa dos problemas do Mediunismo, que é, por assim dizer, o chão agreste e rico de cujas escavações milenares foram extraídos os minérios preciosos da Mediunidade. Nas várias formas do Sincretismo Religioso Afro-Brasileiro a mediunidade eclode muitas vezes, como tufos de vegetais promissores rompendo o chão áspero dos terreiros. Não encontrando ambiente favorável no meio sincrético, essas mediunidades surpreendentes vão transplantar-se para o ambiente espírita e ali florescer e frutificar. Não podemos condenar o Medi-unismo. pois isso seria condenar a fonte que nos fornece a água. Há ricos filões de fenômenos no solo fecundo do Mediunismo à espera dos investigadores espíritas.

O que condenamos e temos de condenar é o abuso das práticas mediúnicas nos terreiros, não só por criaturas desprovidas de nível de instrução e cultura, mas também por pessoas culturalmente amadurecidas para compreender o erro que cometem, contribuindo para expansão, em plena civilização da Era Cósmica, das mais grosseiras superstições do longínquo passado humano. Esse abuso é tanto mais grave quando praticado conscientemente por pessoas que estão interessadas na solução de problemas financeiros, políti-cos e de ordem moral e social. Esses objetivos e os meios usados para consegui-los eram perfeitamente justificáveis na selva, onde a mentalidade primitiva, apegada apenas ao concreto, sem dimensões intelectuais, não podia alcançar objetivos superiores. Mas o homem civilizado que se entrega a essas práticas grosseiras, ligadas a entidades inferiores, age como um inconsciente ou imaturo, que não tem noção de sua própria responsabilidade em relação ao meio em que vive. Cada fração de conhecimento adquirido aumenta a responsabilidade moral do homem na sociedade. Essa responsabilidade não é apenas pessoal e familiar, mas também social. Quem procura práticas selvagens para conseguir benefícios no meio civilizado, ligando-se a estágios já superados na evolução humana, trai a si mesmo e ao meio em que se encontra. Além disso, compromete-se com forças negativas do plano espiritual inferior, que cobram sempre muito caro os serviços prestados, mal ou bem, com resultados ou não, aos incautos clientes.

O Mediunismo divide-se em vários ramos, correspondentes às nações africanas de que procedem. E há graus evolutivos em suas práticas mediúnicas.

Nos terreiros de Umbanda as práticas são mais elevadas, voltadas para o bem.

Nos de Quimbanda o sangue de animais e a queima de pólvora revelam a brutalidade dos ritos selvagens, que eram práticas de defesa para tribos e no meio civilizado se tornaram práticas maléficas, dirigidas contra desafetos e rivais.

Mas há os terreiros de linhas cruzadas, geralmente chamados de Aruanda, onde tanto se pratica o bem para os amigos como o mal para os inimigos.

As danças rituais do Candomblé africano encontram sua réplica nativa nas danças indígenas da Poracê.

Em muitos terreiros de Umbanda infiltram-se também as práticas maléficas. Os poderes mediúnicos são desenvolvidos sob a magia dos rituais selvagens. Costumam dizer, os freqüentadores do sincretismo, que as práticas de terreiro são mais fortes e poderosas que as de mesa branca, designação puramente popular das sessões espíritas, originada da superstição que exige, particularmente nos meios rurais, o uso de toalha branca na mesa de sessão, porque a cor branca atrai os espíritos puros.

A superstição da força, do poder proveniente de práticas violentas, revela a inversão dos valores espirituais, inversão proveniente da selva, onde a força bruta é a lei.

A Macumba, com seus despachos, é uma prática proveniente da mais remota antigüidade. Macumba é instrumento de sopro, geralmente de bambu, que se toca para chamar os espíritos do mato, e o despacho, ao contrário do que geralmente se pensa, não é a oferenda de comidas e bebidas que se coloca nas encruzilhadas e nas esquinas de ruas (adaptação urbana do rito selvagem), mas o envio de espíritos inferiores para atacar as pessoas visadas. A oferenda é a paga que assegura a eficácia do ataque. Os espíritos agressivos, embora não possam comer os manjares e tomar as bebidas, aspiram as suas emanações, como os deuses mitológicos faziam e como o próprio Iavé da Bíblia, o deus judaico, também fazia, como se vê nos relatos bíblicos.

Na descrição do Dilúvio, no Gênese bíblico, vemos que Noé fez um altar no Monte Ararat para dar graças a Iavé pela salvação da sua família. No altar foram colocados alimentos de carne fumegante e Iavé compareceu para aspirar as emanações dos alimentos. É incrível que as Igrejas Cristãs até hoje aceitem que esse Iavé glutão era o Deus Supremo e Único que Jesus pregou contra o politeísmo da época.
Essas práticas sincréticas, onde predomina a mentalidade primitiva, são o contrário das práticas espíritas, que se resumem na prece e na meditação, no passe (imposição das mãos, do Evangelho) e na doutrinação caridosa dos espíritos sofredores ou vingativos. Os que chamam isso de Espiritismo o fazem de má-fé ou por ignorância. Por sinal que encontramos nesse capítulo a ignorância ilustrada de sociólogos, antropólogos, psicólogos e médicos, que usam em seus trabalhos e pesquisas a palavra Espiritismo para designar as manifestações do animismo primitivo e do mediunismo selvagem. Devemos sempre repelir esse abastardamento da palavra que Kardec criou como nome genérico de uma doutrina científica e filosófica oriunda do ensino dos Espíritos Superiores. O Espiritismo é unicamente a doutrina que está nas obras de Kardec e dos que continuaram o trabalho do Mestre, sem trair os seus princípios básicos.


O ponto mais perigoso dessas práticas bárbaras e desumanas está no problema da evolução mediúnica do homem. Essas práticas e crenças supersticiosas correspondiam às necessidades primárias dos homens primitivos. Eram boas na selva, ajudavam os selvagens a crer num poder superior e a respeitá-lo. Aplicadas ao homem civilizado representam um retrocesso evolutivo de sua mentalidade e personalidade.

O ajustamento psíquico do homem civilizado a esses sistemas rudimentares e grosseiros produz desajustes psicológicos e mentais que acabam gerando desequi-líbrios graves em criaturas sensíveis, que são afetadas pelos rituais violentos de sangue e pólvora e pela condição geral das práticas selvagens. O desnível cultural já é chocante em si mesmo e a disparidade cala nos freqüentadores de maior evolução mental e moral. Sente-se o restabelecimento do arcaico prestígio da Goécia, a famosa Magia Negra da Antigüidade, que dominou o Ocidente até os fins da Idade Média. As pesquisas de Albert De Rochas sobre a feitiçaria , ilustradas com dados dos processos medievais dos arquivos do Vaticano, mostram a brutalidade dessas práticas naquele tempo, em que sacerdotes e figuras da nobreza tiveram de ser condenados pelos tribunais eclesiásticos. O impacto dessas condenações concorreu pesadamente para que a sólida estrutura religiosa e teocrática do Milênio acabasse desmoronando. O poder de fascinação dos sistemas mágicos envolveu com facilidade elementos de destaque no Clero e na Política, em virtude dos resíduos brutais do passado nas camadas psico-afetivas da população, mesmo nas classes superiores.

A tendência natural do homem para o mistério e o maravilhoso excita os ânimos e leva criaturas e grupos humanos a verdadeiros delírios, em que os valores da civilização submergem no pântano das paixões. Mas o pior é que, dessas fases de retorno à barbárie, a dignidade humana sai fatalmente esmagada, levando séculos para se recobrar. Não é o mediunismo que responde por isso, mas o apego do homem aos interesses mundanos e o desejo de vencer com mais facilidade e segurança, sob a suposta proteção espiritual de criaturas incultas e grosseiras. O mediunismo é precisamente o instrumento natural de que o homem dispõe para elevar-se ao plano da mediunidade, transcendendo a sua condição tribal. Mas se o homem se entrega ao atavismo da religiosidade mágica e por isso mesmo fanática, serve-se do mediunismo, nessas formas clássicas de civilizações mortas, para repetir os suicídios anteriores. O automatismo dos processos primitivos o leva a repetir os mesmos erros, na mesma antiga e frustrada esperança dos tempos mortos. É isso o que se tem de condenar nos cultos retrógrados desses processos sincréticos e negativos.

FONTE; www.caminhadainterior.blogspot.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2013

4 MEDIUM DE CURA

Mediunidade Gratuita

10 – A mediunidade é uma coisa sagrada, que deve ser praticada santamente, religiosamente. E se há uma espécie de mediunidade que requer esta condição de maneira ainda mais absoluta, é a mediunidade curadora. O médico oferece o resultado dos seus estudos, feitos ao peso de sacrifícios geralmente penosos; o magnetizador, o seu próprio fluído, e freqüentemente a sua própria saúde: eles podem estipular um preço para isso. O médium curador transmite o fluído salutar dos bons Espíritos, e não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os Apóstolos, embora pobres, não cobravam as curas que operavam.
Que aquele, pois, que não tem do que viver, procure outros recursos que não os da mediunidade; e que não lhe consagre, se necessário, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos levarão em conta o seu devotamento e os seus sacrifícios, enquanto se afastarão dos que pretendem fazer da mediunidade um meio de subir na vida.
 


3 A BENZEDEIRA ATENDE GRATUITAMENTE

Mediunidade Gratuita

9 – Ao lado da questão moral, apresenta-se uma consideração de ordem positiva, não menos importante, que se refere à própria natureza da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não será jamais uma profissão, não somente porque isso a desacreditaria no plano moral, colocando os médiuns na mesma posição dos ledores da sorte, mas porque existe ainda uma dificuldade material para isso: é que se trata de uma faculdade essencialmente instável, fugida, variável, com a qual ninguém pode contar na certa. Ela seria, portanto, para o seu explorador, um campo inteiramente incerto, que poderia escapar-lhe no momento mais necessário. Bem diversa é uma capacidade adquirida pelo estudo e pelo trabalho, e que, por isso mesmo, torna-se uma verdadeira propriedade, da qual é naturalmente lícito tirar proveito. A mediunidade, porém, não é nem uma arte nem uma habilidade, e por isso não pode ser profissionalizada. Ela só existe graças ao concurso dos Espíritos; se estes faltarem, não há mediunidade, pois embora a aptidão possa subsistir, o exercício se torna impossível. Não há, portanto, um único médium no mundo, que possa garantir a obtenção de um fenômeno espírita em determinado momento. Explorar a mediunidade, como se vê, é querer dispor de uma coisa que realmente não se possui. Afirmar o contrário é enganar os que pagam. Mas há mais, porque não é de si mesmo, que se dispõe, e sim dos Espíritos, das almas dos mortos, cujo concurso é posto à venda. Este pensamento repugna instintivamente. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, a credulidade e a superstição, que provocou a proibição de Moisés. O Espiritismo moderno, compreendendo o aspecto sério do assunto, lançou o descrédito sobre essa exploração, e elevou a mediunidade à categoria de missão. (Ver Livro dos Médiuns, cap. XXVIII, e Céu e Inferno, cap. XII).

benzedeira Dona Marta Drabeski - São João do Triunfo(Paraná)
FOTO: Jornal de Londrina redirecionado de  www.redesaudeculturamg.blogspot.com
 
 


2 DOM DA MEDIUNIDADE

Mediunidade Gratuita

7 – Os médiuns modernos, — pois os apóstolos também tinham mediunidade, — receberam igualmente de Deus um dom gratuito, que é o de serem intérpretes dos Espíritos, para instruírem os homens, para lhes ensinarem o caminho do bem e levá-los à fé, e não para lhes venderem palavras que não lhes pertencem, pois que não se originam nas suas idéias, nem nas suas pesquisas, nem em qualquer outra espécie de seu trabalho pessoal. Deus deseja que a luz atinja a todos, e não que o mais pobre seja deserdado e possa dizer: Não tenho fé, porque não pude pagar; não tive a consolação de receber o estímulo e o testemunho de afeição daqueles por quem choro, pois sou pobre. Eis porque a mediunidade não é um privilégio, e se encontra por toda parte. Fazê-la pagar, seria portanto desviá-la de sua finalidade providencial.
8 – Qualquer pessoa que conheça as condições em que os bons Espíritos se comunicam, sua repulsa a todas as formas de interesse egoísta, e saiba como pouca coisa basta para afastá-los, jamais poderá admitir que Espíritos Superiores estejam à disposição do primeiro que os convocar a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante coisa. Não seria ainda uma profanação, evocar por dinheiro os seres que respeitamos ou que nos são caros? Não há dúvida que podemos obter manifestações dessa maneira, mas quem poderia garantir-lhes a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos e espertos, e toda a turba de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, atendem sempre a esses chamados, e estão prontos a responder ao que lhes perguntarem, sem qualquer preocupação com a verdade. Aquele, pois, que deseja comunicações sérias, deve primeiro procurá-las com seriedade, esclarecendo-se quanto à natureza das ligações do médium com os seres do mundo espiritual. Ora, a primeira condição para se conseguir a boa vontade dos bons Espíritos é a que decorre da humildade, do devotamento e da abnegação: o mais absoluto desinteresse moral e material.
 
 

sábado, 13 de abril de 2013

1 ANJO DA GUARDA

I – Aos Anjos Guardiões E Aos Espíritos Protetores

11 – Prefácio – Todos nós temos um Bom Espírito, ligado a nós desde o nascimento, que nos tomou sob a sua proteção. Cumpre junto a nós a missão de um pai junto ao filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso, através das provas da vida. Ele se sente feliz quando correspondemos à sua solicitude, e sofre quando nos vês sucumbir. Seu nome pouco importa, pois que ele pode não ter nenhum nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como o nosso Anjo Guardião, o nosso Bom Gênio. Podemos mesmo invocá-lo com o nome de um Espírito Superior, pelo qual sintamos uma simpatia especial.
Além do nosso Anjo guardião, que é sempre um Espírito Superior, temos os Espíritos Protetores, que, por serem menos elevados, não são menos bons e generosos. São Espíritos de parentes ou amigos, e algumas vezes de pessoas que nem sequer conhecemos na atual existência. Eles nos ajudam com os seus conselhos, e freqüentemente com a sua intervenção nos acontecimentos de nossa vida. Os Espíritos simpáticos são os que se ligam a nós por alguma semelhança de gostos e tendências. Podem ser bons ou maus, segundo a natureza das inclinações que os atraem para nós. Os Espíritos sedutores esforçam-se para nos desviar do caminho do bem, sugerindo-nos maus pensamentos. Aproveitam-se de todas as nossas fraquezas, como de outras tantas portas abertas, que lhes dão acesso à nossa alma. Há os que se agarram a nós como a uma presa, mas afastam-se quando reconhecem a sua impotência para lutar contra a nossa vontade.
Deus nos deu um guia principal e superior em nosso Anjo Guardião, e como guias secundários os nossos Espíritos Protetores e Familiares. É um erro, entretanto, supor que tenhamos forçosamente um mau gênio junto a nós, para contrabalançar as boas influências daqueles. Os maus Espíritos nos procuram voluntariamente, desde que achem possível dominar-nos, em razão da nossa fraqueza ou da nossa negligência em seguir as aspirações dos Bons Espíritos,e somos nós, portanto, que os atraímos. Disso resulta que não somos nunca privados da assistência dos Bons Espíritos, e que depende de nós o afastamento dos maus. Pelas suas imperfeições, sendo ele mesmo a causa dos sofrimentos que o atingem, o homem é quase sempre o seu próprio mau gênio. (Cap. V, nº 4). A prece aos Anjos Guardiães e aos Espíritos Protetores deve ter por fim solicitar a sua intervenção junto a Deus, pedir-lhes a força de que necessitamos para resistir às más sugestões, e a sua assistência para enfrentarmos as necessidades da vida.

A crença no anjo da guarda é proveniente da mitologia persa.Seriam seres criados por Deus e que já estão num estágio superior aos humanos ¨terráqueos¨.São os chamados anjos cabalísticos, também correntes no esoterismo judaico.
  Já o Anjo Guardião citado acima parece equivaler ao católico ¨Anjo Custódio¨ , tão apreciado pelas benzedeiras e pelo catolicismo popular.
  O Anjo Guardião, pelo que entendi, pode ser um espírito humano desencarnado que atingiu uma graduação de evolução espiritual importante a ponto de ser tutor de humanos que estão na escalada terrestre.

  O texto kardecista parece vir de encontro ao conteúdo teológico da tradição benzedeira no que se refere ao valor do Anjo  Guardião como protetor dos humanos.

  Na tradição umbandista, o Anjo Guardião é o zelador de cabeça do iniciado que ainda não sabe ao certo quem é o seu Orixá de Ori .

  No catolicismo popular este é o protetor da criança logo após o Batismo, sendo este sacramento uma primeira iniciação católica que ¨firma¨ a Cristandade na criança.Mas pelo Espiritismo o Anjo protege a criança ainda no ventre materno.

 
 
 

PREFÁCIO



O objetivo deste blog  é comentar trechos da obra de Allan Kardec em conexão com o legado cultural da sabedoria popular das benzedeiras conforme o sentido brasileiro( ou em Portugal e nos países lusófonos a quem interessar possa) das mulheres e homens que dedicam-se(ou venham a se interessar) a esse ofício.

  A Federação Espírita Brasileira não patrocina o conteúdo dos comentários aqui escritos, sendo este uma confecção literária livre do mantenedor do blog(Alexandre Lima).

Por convenção será transcrito o trecho da obra de Kardec com letras na fonte Helvetica  e na cor preta enquanto o comentario será escrito na fonte Times e em cor violeta.